Viajando aprendemos bastante sobre o lugar de onde viemos e fazemos muitos amigos (inclusive outros viajantes), o que nos estimula a seguir viagem rumo a suas cidades para conhecê-las. O problema é que não podemos nos demorar, mas quando voltamos às nossas casas, temos mais motivos para rever estes amigos, assim, passamos a trabalhar em novos roteiros de viagens e nos lançamos com mais energia em todos os nossos demais projetos. - Alberto Jr.

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Mochilão Austral - Ultimos preparativos...

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Aqueles mêses de novembro e dezembro de 2010 foram os mais penosos de todos desde meu regresso do Mochilão Inca. Havia já um bom tempo sem tirar folgas na empresa. Corria de um lado para outro, fazendo exames períodicos da empresa, em consultas médicas, fazendo uma bateria de exames para ver como ia a saúde, regressando aos médicos para ouvir a resposta... No períodico a glicemia estava acima do normal e o médico da empresa me pediu muita atenção nisso, dias depois, em novo exame, solicitado pela cardiologista, agora realizado em outro laboratório, estava tudo normal... Aproveitei para rever minha dentista, após um ano sumido. Após algumas idas e vindas entre dentista, ortodontista e laboratórios de Raios X, consegui pôr 90% da ordem bucal em saúde (ô trocadilho infame), pois fui encaminhado para uma especialista em próteses para fazer um bloco para o primeiro molar superior esquerdo. Cacete, carnaval não era minha praia e ainda tinha de fazer um bloco?? Pra piorar, todas agendas estavam lotadas e só havia consulta para o dia 7 de janeiro de 2011, ao final da tarde, horário em que pretendia estar saíndo de casa com minha mochila de 17-18kg e de ônibus (claro né?) para ler e dormir no aeroporto e embarcar na madrugada seguinte no Mochilão Austral. Concluí que era melhor me dedicar à conclusão dos mapas e relatório final do projeto no qual estava metido (ou melhor, enforcado) na empresa. A quase impossível missão era concluir tudo e apresentar ao gerente no dia 3 de janeiro e solicitar 16 das 33 folgas que haviam no meu banco pessoal para cobrir o período de 10 a 31 de janeiro.

Minha barba estava grande e todos já estavam estranhando, ao ponto que alguns colegas me perguntaram o motivo e prontamente respondi que era pra ficar diferente, pra combinar com a forma diferente de viajar que estava planejando: viajar a dedo até a terra do fogo. É óbvio que a resposta era que estava ficando louco... Dois colegas para os quais confiei meu plano disseram que eu gostava de adrenalina, pois estava tudo "no limite" e não havia chance nem margem de erro e eu sabia disso...

Ao mesmo tempo em que tentava fechar o roteiro da viagem, dormindo sobre o mapa da América do Sul, estava lendo o incrível clássico publicado em 1957, On The Road (Pé na Estrada) do lendário Jack Kerouac e aquilo me enchia de ânimo e energia para cumprir qualquer tarefa no sonho de viver grandes aventuras mochilando mundo afora.

Havia ido à agência do Banco do Brasil da Pituba obter informações sobre o Visa Travel Money, e em casa liguei para o serviço de auto atendimento para obter melhores informações. Dias depois voltei ao banco, que encontrei fechado devido ao fato de que, justo naquela manhã o prédio da companhia telefônica OI havia pegado fogo e por isto o sistema da agência estava fora do ar (e assim continuou por alguns dias). Só pude programar uma nova ida à agência após as festas de fim de ano, na manhã da segunda-feira 27, logo após a última consulta médica da temporada. Para minha infelicidade a moto estava com a bateria estragada e, depois de alguns procedimentos, tive de subir outra vez os oito lances de escadas pra tomar banho outra vez e seguir de ônibus. A parte boa era que estava já acostumado a acordar às 5:30h da manhã e a consulta era às 9h. Cheguei às 7:15h no consultório e em alguns minutos fui atendido. A cardiologista viu todos os exames e disse que eu estava bem e que podia viajar pra onde quisesse. Era tudo que queria ouvir, então segui de ônibus para a agência do BB Pituba, a qual precisei esperar (literalmente sentado e lendo) abrir às 10h. A idéia era comprar dólares, sair com uma quantia em espécie e a outra no cartão VTM. Considerando o valor solicitado em dólares e as taxas a serem pagas ao banco para fazer o cartão VTM, IOF e os 3% sobre o valor solicitado em espécie, a transação foi fechada a uma cotação de R$1,78 no (dólar turismo), o que estava bem em conta, considerando que a Confidence, operadora do meu cartão anterior estava com taxas médias de R$1,82. Concluí que aquela foi uma grande jogada, pois agora, poderia fazer recargas no BB VTM pela internet e também por telefone.

Utilizei uma técnica mochileira para sair com aquela grana e resolvi aventurar um pouco mais. Fui ao centro da cidade procurar uma bateria nova para a moto e depois de algumas caminhadas e ligações para oficinas autorizadas e lojas de peças, concluí que estava faltando em Salvador a bateria original utilizada na minha moto. Segui de ônibus para o trabalho, onde cheguei por volta das 14h, almocei e iniciei os trabalhos. Ao final do dia, segui de carona até bem perto de casa onde cheguei com mais uma caminhada de 15 minutos. Ao final do dia, tomei uma carona de um amigo e caminhei ainda 1km pra chegar em casa, onde meus pais ficaram impressionados com todas as avenuras que lhes contei.

Dias dias depois, esqueci a moto e comecei a ir pro trabalho de bike, o que me ajudou muito a amenizar o nível de stress, até que uma semana depois conseguíamos entregar o relatório e mapas e conseguia minha tão sonhada autorização de folga!!

Grande abraço!!
Alberto Jr.
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BB Visa Travel Money

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Em um post anterior prometi fornecer maiores informações sobre o cartão recarregável em moeda extrangeira Visa Travel Money (VTM) que foi recentemente disponibilizado pelo Banco do Brasil (BB) tão logo as conseguisse, então, no dia 15 de dezembro estive em uma agência daquele banco, autorizada a fazer operações de câmbio em Salvador/BA.

Observei que eram muitas as dúvidas dos funcionários do banco quanto às regras do contrato daquele serviço destinado aos viajantes. Resolvi me informar melhor via central de atendimento (serviço telefônico) para só então me decidir entre o Visa Travel Money operado pela agência de câmbio Confidence  ou contratar este serviço pelo Banco do Brasil. De qualquer forma, já havia passado das 14h (horário local) e não era mais possível fazer a compra de moeda extrangeira.

Voltei para casa e naquela mesma noite contactei o auto atendimento e me deram as seguintes informações:

1. O Banco do Brasil só está disponibilizando o Visa Travel Money para seus correntistas. Corresponem a dois cartões, chamados de "titular" e "adicional", sendo que este último será utilizado em caso da perda do primeiro. A taxa da sua emissão é de R$10,00 e R$5,00 respectivamente e o cliente já sai da agência de posse de seus cartões. A tarifa de emissão dos cartões será dada como gratuidade para adesões feitas até março de 2011;
2. Será cobrada uma taxa de U$50,00 em caso de perda, para ser confeccionado um cartão emergencial, que será entregue em qualquer lugar do mundo onde esteja o cliente;
3. As recargas poderão ser realizadas em agências habilitadas para operações de câmbio ou a partir das centrais de atendimento (telefone ou internet) e a tarifa de recarga é de R$7,00, que o Banco do Brasil não estará cobrando por tempo indeterminado;
4. Os saques poderão ser realizados em qualquer terminal eletrônico (ATM) existente no Brasil e no exterior, que serão tarifadas de acordo com a moeda adquirida no contrato, em U$2,50  (dólares) ou e$2,50 (euros);
5. O dinheiro virtual adquirido não tem prazo de validade mas, será cobrada uma tarifa de U$2,50 a partir do 18° mês em que não houverem débitos (tarifa de inatividade);
6. O cartão VTM terá validade de 5 anos e estará vinculado à conta corrente, de forma que, caso o cliente zere o saldo disponível no cartão, o saldo da conta corrente será convertido e disponibilizado automaticamente segundo a cotação de câmbio do dia;
7. Para aquisição de moeda extrangeira em espécie será cobrada uma taxa IOF de 0,38% sobre o valor adquirido. Além disso, será cobrada uma taxa de U$20,00 como Tarifa de Contrato de Câmbio e Edição. Como o Banco do Brasil oferece este serviço também para não correntistas, é possível conseguir uma isenção, caso do cliente informe ser correntista do banco.

Como a moeda brasileira está bem valorizada no momento, fiquei bastante animado com as cotações das moedas de recarga do VTM do Banco do Brasil. As taxas de câmbio fecharam o dia como U$1,00 = R$1,75 e e$1,00 = R$2,32 para Dollar Norte Americano e euro respectivamente.

Para aqueles que optarem pelo serviço VTM do Banco do Brasil fica a dica de utilizar o cartão em pelo menos uma operação de débito (mesmo que seja dentro do Brasil) antes de fecharem os 18 meses de inatividade, para evitar a incidência da taxa.


Abraço!!
Alberto Jr.
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Mochilão Austral

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O desafio do nosso aventureiro agora é correr durante todo o último mês do ano de 2010 para entregar os trabalhos pendentes na empresa e finalmente carimbar o passaporte para embarcar no Mochilão Austral.

Se tudo der certo, ele seguirá direto de Salvador da Bahia para Foz do Iguaçú/PR, onde iniciará um louco mochilão, de carona, acampando e se hospedando com nativos através do Paraguay e Argentina até o fim do mundo, isso mesmo, a argentina cidade de Ushuaia localizada na Terra do Fogo, encontra-se na extremidade sul continental das Américas, correspondendo à cidade mais ao sul do planeta, região que é reconhecida mundialmente como "el fin del mundo". Depois disso, nosso louco herói vai seguir viajando "a dedo" pelo Chile na direção norte desde Punta Arenas até Santiago de onde tomará um vôo de volta a Salvador.

Ele acredita que melhorará bastante o castelhano e conhecerá muita gente assim pois, normalmente, neste estilo de viagem se está trajado de forma simples e carregando uma mochila nas costas, fazendo com que, de forma natural, se aproximem quase sempre aqueles que são movidos pelo sentimento mais nobre que o ser humano pode ter, o amor. Com um pouco de tempo percebemos que se tratam das pessoas mais incríveis e generosas que poderiam ter cruzado nosso caminho, as transformando em "grandes prêmios" da viagem, mais importantes que as cidades e paisagens que tínhamos saído para apreciar.

Até então, todos os preparativos em termos de equipamento já foram tomados e destaque vai para as Botas Salomon (modelo Mega Trek 6LTR GTX) adquiridas em Buenos Aires ao final do Mochilão Inca (início de fevereiro deste ano) e que estavam em fase de amaciamento desde então. Segundo minha experiência elas foram consideradas como as botas mais confortáveis e transpiráveis dentro da linha de impermeáveis com Goretex, além de ter um perfeito enlace do tornozelo e contar com um solado muito resistente e flexível ao mesmo tempo. Apesar disso, seus solados descolaram e elas foram reprovadas. Entrei em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor e após uma série de trâmites, as botas foram finalmente enviadas para análise (semana passada), cujo parecer ainda não foi concluído. De qualquer forma, o prazo previsto para o desfecho com a possível substituição das mesmas não inviabilizará o Mochilão Austral. Em último caso, posso considerar a utilização de qualquer outro bom par de botas que tenho em casa.

Outro destaque foi a aquisição do fogareiro OmniFuel da Primus, juntamente a sua garrafa de combustível  feita em alumínio, com capacidade para 350ml. Pesando cerca de 330g, o fogareiro é muito prático e dobrável, ocupando pouco espaço na mochila, corespondendo a um excelente equipamento para viajar e acampar em qualquer país, pois utiliza diversos tipos de combustíveis líquidos derivados de petróleo, além de também poder utilizar os cartuchos de gás com válvula do tipo Tekgás. Veja aqui um vídeo demonstrando o uso do Omnifuel.

Na lista de novas aquisições também estão um par de polainas Mammut impermeáveis, uma garrafa de policarbonato inquebrável de um litro da marca Nalgene, uma caixa de ovos plástica inquebrável, um poncho, um saco estanque de 16 litros da Montana, além de dois cartuchos tekgás da Nautika de 230 gramas com válvula. A maior parte das encomendas ainda está por conta dos correios, e espero que o grande fluxo de mercadorias, normal no final de ano, juntamente com a hipótese de uma greve geral, não inviabilizem os testes que tenho em mente realizar antes da viagem.

Apesar de ter lido todo o trecho do livro-guia que trata dos países a serem visitados, estudado a posição das cidades e disposição das estradas no mapa da América do Sul (sobre o qual dormi diversas vezes) e ter recebido muitas "dicas quentes" de mochileiros que tem me visitado e que passaram pela região recentemente, o roteiro permanece meio que aberto. Apenas tenho uma idéia de rota a seguir, cidades, atrações e parques ecológicos que quero visitar. De qualquer forma irei resumir e pôr alguma coisa no papel nos próximos dias.

A grande novidade foi utilizar uma balança digital com a qual todos equipamentos foram pesados e em seguida tudo foi listado numa planilha excel. Na medida em que ia habilitando a quantidade de cada coisa a levar, havia construído um "check list", que me dizia ao final o peso exato que a mochila teria depois de montada. Depois de alguns ajustes, cheguei à incrível previsão de 17kg, mesmo peso inicial do Mochilão Inca. Daquela vez estava levando uma garrafa de vinho e duas pequenas de cachaça, produtos da Bahia para dar de presente. Mas de qualquer forma, agora estarei levando mais equipamentos, pois irei passar mais tempo em regiões frias, e provavelmente mais frias que nos andes bolivianos e peruanos. Agora estou pensando no que levar de presente para os amigos que farei no caminho.

Espero conseguir cuidar de todas pendências para poder embarcar nesta nova aventura. Irei postando as novidades aqui, na medida em que as coisas forem acontecendo.

Grande abraço!!
Alberto
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Viajando - Visa Travel Money

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O transporte de valores sempre foi um problema muito sério a ser considerado pelos mochileiros de todo o mundo. Alguns anos atrás surgiu um cheque específico para isto, o Visa Travel Cheque, que era nada mais, nada menos que um cheque impresso no nome do aventureiro e com valores estabelecidos previamente. Os cheques eram descontados em agências de câmbio (ou agências bancárias habilitadas para esta função) e eram sacados mediante apresentação do passaporte e assinatura que tinha de ser feita na presença do operador do caixa.

Atualmente o Visa Travel Cheque vem sendo substituído pelo Visa Travel Money, que é um cartão recarregável em moeda estrangeira. No Brasil algumas operadoras de câmbio já estavam disponibilizando este serviço sem taxa de manutenção, mas que cobrava U$2,50 para cada saque realizado, a exemplo da Confidence Câmbio e do Banco Rendimento. As transações feitas na opção débito também são possíveis, mas nas compras feitas no extrangeiro normalmente cobra-se uma taxa (aproximadamente 10% do valor da compra, como se a compra fosse a crédito). No caso do Visa Travel Money emitido pela Confidence, além do preenchimento de um cadastro, cobrava-se (no final de 2009) R$10,00 pela confecção do cartão e era obrigatório a recarga imediata de U$100,00, além de que no caso de inatividade por 12 meses, passa a incidir uma taxa administrativa mensal no cartão.

Normalmente, três opções de moeda estão disponíveis (euro, dólar norte americano e libra) e os saques são realizados em caixas eletrônicos automáticos espalhados pelo mundo (em moeda local) e debitados após conversão feita pela agência operadora do cartão. Alguns terminais eletrônicos disponibilizam o saque de dólares norte americanos. No caso da Confidence é necessário a impressão de um cartão específico para cada tipo de moeda solicitada.

Agora o Banco do Brasil está inovando ao disponibilizar o Ourocard Visa Travel Money que conta com a opção de dólar norte americano e euro. A proposta é tornar o serviço mais ágil e cômodo para os seus correntistas, aliás, o serviço só está disponível para clientes do banco.

Na primeira carga é necessário ir a uma das agências com  a função de câmbio e solicitar o dinheiro virtual ao invés de papel e cadastrar uma senha para utilizar o mesmo cartão que já utilizamos nas funções débito e crédito. Para recarga será possível utilizar o auto-atendimento (telefone) e dentro de algum tempo o banco irá disponibilizar a opção de recarga através da internet. Vou aproveitar que a cotação do dólar está baixa para dar uma passadinha em uma agência do BB para conferir o serviço e quem sabe, fazer minha primeira carga, visando o Mochilão Austral.


Para aqueles que planejam viajar e estão economizando, vale ficar sempre ligado nas cotações das moedas extrangeiras e fazer as recargas com bastante antecedência para aproveitar as melhores cotações e ficar tranquilo, pois o dinheiro virtual não tem prazo de validade. Outra dica é pelo menos uma vez no ano fazer uma operação de débito para certificar-se do pleno funcionamento do cartão e também evitar a incidência de taxas. Agora, a dica mais quente, durante o Mochilão Inca no início de 2010, descobri que a maioria dos terminais automáticos cobravam uma tarifa extra pelos saques realizados, o que varia de acordo com a rede administradora do terminal eletrônico.  De qualquer forma, encontrei a rede Bisa na Bolívia que não cobrava taxa adicional por saque. No Perú creio que havia também uma rede que não cobrava, mas na Argentina e no Chile sempre havia a bendita taxa extra e neste último, o valor era de absurdos U$5,00 a cada saque. Sendo assim, o mochileiro precisa ter uma boa programação, de forma a fazer o mínimo de saques possíveis, de forma a não comprometer o bolso nem  a sua segurança e, com bom senso, é melhor pecar por sobra que por falta, pois ao cruzar qualquer fronteira, o valor remanescente pode ser negociado em qualquer agência de câmbio local.
Saudações,
Alberto
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Oktoberfest 2010, Blumenau/SC

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A experiência do Oktoberfest 2010 em Blumenau foi incrível!! Assisti ao desfile oficial na rua XV de novembro, com muitos carros alegóricos e onde todos vestiam roupas típicas muito coloridas e em meio a muitas flores, bandas locais que tocavam também musícas típicas. Tudo regado com muito chopp. Bem marcante também a participação das crianças, sendo que algumas bandas eram compostas só por elas.


 





Ao chegar em Blumenau ganhei uma família adotiva, com pai, mãe e dois irmãos, todos muito amáveis. Grégori, meu irmão mais novo me mostrou um monte de coisas pela cidade e saímos pra beber bastante e conheci um monte dos seus amigos e amigas, os quais foram muito legais e com os quais me senti muito à vontade. Uma turma muito mente aberta, bastante viajada pelo Brasil e pelo mundo. Destaque para o Caetano, que havia viajado pela região nordeste de carona. Realmente amigos que me fariam muita falta ao voltar pra Salvador dias depois para, de imediato, integrar uma campanha de campo de 15 dias na borda leste da Chapada Diamantina, foi quando percebi que seria inevitável criar um novo projeto, o Oktoberfest 2011!!

Em meio a nossas brincadeiras, conheci uma turma de Salvador e combinamos fazer uma ressaca do Oktober quando voltássemos para a terrinha. Bebemos muito, cantamos e dançamos igual a crianças, músicas das mais diversas, até o "Atirei o Pau no Gato" e o Hino Nacional Brasileiro. A galera sempre fazia uma prévia antes de ir pra festa, como eles chamam "um esquenta", na casa de um dos amigos, ou até mesmo num ponto de ônibus, alguns com roupas típicas. Levávamos as bebidas e ficávamos conversando e brincando por horas até estarmos "prontos" pra ir pra festa, lá pela 1 da madrugada. Vale lembrar que antes de saírmos, eles se preocupavam com a limpeza do local.

A Oktoberfest é muito grande, com uma vila e três grandes pavilhões, onde existem palcos e músicas distintas. Veja aqui um vídeo que fiz de uma das apresentações. Muita gente, tudo tranquilo e relativamente organizado, e melhor, sem confusões (não vi, nem ouvi dizer que houve algum desentendimento). Até o policiamento era tranquilo, muito diferente do clima que temos no carnaval de rua de Salvador. Muita comida típica, e muita cerveja artesanal de qualidade e em diversas versões, de diferentes sabores e graduações alcoólicas, mas infelizmente não deu pra provar de tudo, acho que só experimentei 20-30% daquilo, mais um grande motivo para trabalhar no projeto Oktober 2011. Foi também legal reencontrar em Blumenau a Sabrina, amiga de Florianópolis, estudante de biologia que Josemar e eu conhecemos na Trilha Inca de 4 dias para Macchu Picchu em janeiro. Como ela teve problemas com o amigo que a iria hospedar, foi também amavelmente acolhida pelos pais do Grégori por dois dias.

Pra completar segui para Florianópolis, onde fiquei por dois dias, onde Sabrina me mostrou o centro da cidede e fomos juntos assistir uma aula de geologia na UFSC. Íamos juntos desbravar mais o litoral, acampar e fazer trilhas, mas o frio de até 16°C, a chuva e a saudade dos amigos blumenauenses me fizeram voltar antecipadamente para Blumenau. No campus da UFSC existem vários cães que desfrutam de muitas regalias e um deles me chamou muito a atenção por estar dormindo de papo pro ar bem em cima do banco do ponto de ônibus lá existente.


Tive a oportunidade de andar bastante de ônibus pela cidade de Blumenau e como meu irmão adotivo mora um pouco afastado do centro, pude circular por onde turistas não vão. Diante destas experiências com o público da cidade posso dizer que o blumenauense médio é mais reservado e relativamente menos prestativo que no norte e nordeste do Brasil. Sofri ao menos duas mostras de discriminação racial e regional. Citarei aqui apenas os dois exemplos mais marcantes: Certa feita saí da casa de meu irmão para ir caminhando até o ponto de ônibus quando fui chamado repetidamente e de forma sarcástica de "demônio preto" por duas crianças que jogavam bola na rua. Outro fato interessante foi quando voltava da festa juntamente com a Sabrina em ônibus coletivo para casa do Grégori, quando ouvi um adolescente que estava de frente para mim dizer (também de forma sarcástica) que não gostava de negros nem de baianos.

O Brasil é o 5° maior país do mundo, e creio que é aquele que tem a maior diversidade não só de fauna e flora, mas também cultural, musical e principalmente de povo, mas é notório como em todos os cantos o brasileiro ainda é muito ignorante e pouco “viajado”, principalmente quanto ao seu próprio país, o que acredito responder pela falta de respeito que temos para com nós mesmos. A mídia também tem uma parcela de culpa por este quadro, uma vez que os canais televisivos que falam para o Brasil são todos do eixo Rio de Janeiro-São Paulo. Tenho certeza que só quando superarmos problemas como estes, estaremos prontos para sermos uma grande potência.

Para finalizar, transcrevo uma frase atribuída a Amir Klink, brasileiro conhecido como navegador solitário, reconhecido mundialmente por ter sido o único a conseguir fazer a travessia A REMO entre os continentes africano e o sul americano, desde a costa da Namíbia até o litoral norte da Bahia, num feito que se mantém único desde o ano de 1984:


"O homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”. AMIR KLINK

Grande abraço!!
Alberto Jr.
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Um aspecto da vida no sertão

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Ontem pela manhã, ao chegar numa das áreas de pesquisa, iniciei os preparativos para adentrar a mata, quando fui surpreendido por uma cena muito interessante. Duas crianças que conduziam um animal de carga, ao qual estavam amarrados dois botijões metálicos e um balde plástico de construção de mais ou menos 25 litros. Eram dois irmãos que estavam a caminho de um pequeno açude que abastecia sua família com uma água de qualidade duvidosa. Apesar de não ser tão longe o açude, achei impróprio fazer demasiadas perguntas àqueles dois pequenos, que apesar da tenra idade e pequeno porte físico tinham uma tarefa bastante árdua para cumprir e certamente não podiam se demorar.

A região onde estávamos trabalhando fica na borda leste da Chapada Diamantina, aproximadamente 15km ao norte da BR-242, em terras do município de Lajedinho e na prática não está dentro de uma região castigada pela seca, de forma que aqui a agro-pecuária de subsistência se desenvolve mais facilmente em relação a outras regiões baianas como é o caso do extremo norte, que por ser uma região mais árida, onde as chuvas só ocorrem entre novembro e março, limitando a disponibilidade e acesso aos recursos hídricos, como é o caso dos municípios de Pilão Arcado, Casa Nova, Remanso e Sento Sé. Apesar da região ser cortada pelo médio curso do Rio São Francisco (maior rio totalmente Brasileiro), seus tributários ali são todos intermitentes e apresentam-se secos durante quase a totalidade do ano. Em 1976 foi concluído ali aquele que é até hoje o maior lago artificial do mundo, a Barragem de Sobradinho, que com volume de 37,5 bilhões de m³ de água e área de 4.214 km² de espelho d'água, inundou completamente 19 povoados e as sedes municipais de Remanso, Casa Nova, Sento Sé e Pilão Arcado que foram reconstruídas mais adiante, às margens do rio. A música Sobradinho de Sá e Guarabira (clique aqui e veja uma apresentação ao vivo desta canção no youtube) retrata um pouco do que passou o povo sertanejo naquela época. Ainda hoje projetos como a Transposição das Águas do Rio São Francisco é algo que nada atende das demandas da população, em detrimento dos interesses dos grandes proprietários e produtores da região.

SOBRADINHO - Composição: Sá e Guarabyra

O homem chega, já desfaz a natureza
Tira gente, põe represa, diz que tudo vai mudar
O São Francisco lá pra cima da Bahia
Diz que dia menos dia vai subir bem devagar
E passo a passo vai cumprindo a profecia do beato que dizia que o Sertão ia alagar
O sertão vai virar mar, dá no coração
O medo que algum dia o mar também vire sertão
Adeus Remanso, Casa Nova, Sento-Sé
Adeus Pilão Arcado vem o rio te engolir
Debaixo d'água lá se vai a vida inteira
Por cima da cachoeira o gaiola vai, vai subir
Vai ter barragem no salto do Sobradinho
E o povo vai-se embora com medo de se afogar.
Remanso, Casa Nova, Sento-Sé
Pilão Arcado, Sobradinho
Adeus, Adeus ...



Tive o primeiro contato com a região em 2007 e fiquei impressionado com o tamanho da barragem de Sobradinho e dos parreirais de onde saem o vinho Terra Nova (produto da Miolo), produzido a partir da uva Shiraz, muito bem adaptada à região. Fato é que a técnica de irrigação associado ao clima semi-árido responde não só pela dupla produção anual, como pelo crescimento duas vezes mais rápido que as parreiras existentes no sul do Brasil. Poucos quilômetros adiante (em direção à Casa Nova, Remanso e Pilão Arcado) o quadro muda bastante e o que passa a impressionar é a seca, isolamento e improdutividade da maior parte das terras dali. Uma prova disto é que em Casa Nova se concentra o maior rebanho de caprinos do estado (e um dos maiores do país), pois estes estão mais adaptados à realidade do semi-árido que os bovinos. Um primo que trabalha com zootecnia na região me contou que as cabras são capazes de retardar o parto ou até mesmo abortar caso o período de seca se prolongue além do que seu instinto animal previa, justamente para evitar pôr em risco mãe e cria. Toda esta região é historicamente marcada por conflitos socio-econômicos e agrários agravados pelas difíceis condições climáticas, como foi o caso da Guerra de Canudos. Um projeto de viagem que muito me encanta atualmente é a idéia de desbravar mais o sertão, desde Canudos até o campo de dunas do rio São Francisco.

Enquanto observava e fotografava aquelas crianças que até tentavam fazer de sua tarefa uma brincadeira, me vinham à cabeça uma série de pensamentos sobre o quão diverso e fantástico é o Brasil, quinto maior em extensão do mundo. Ao mesmo tempo em que ficava impressionado em algumas regiões semi-áridas baianas em que já tive a oportunidade de rodar por centenas de quilômetros sem ver um espelho d'água, a abundância deste recurso na região norte também havia me impressionado em setembro deste mesmo ano, quando visitei Belém do Pará e tive a oportunidade de ver alguns rios extremamente largos, sendo que no caso do centro de Belém, existe até um porto fluvial. Por este motivo estou  ancioso para desbravar melhor a região Norte e ver de perto as dimensões do rio Amazonas, onde até mesmo as maiores embarcações se tornam um minúsculo ponto perdido no meio de suas doces águas, como é o caso de navios petroleiros. Vale lembrar que neste rio as variações de "maré" são de até 12m o que responde pelas pororocas, imensas ondas que partem da foz e vão adentrando o rio por quilômetros, arrasando tudo que encontram pela frente. Ao longo deste que é hoje o maior rio do mundo, alguns portos contam com uma estrutura móvel, que lhes permite oscilar de acordo com o sobe-desce das marés.

Grande abraço!!
Alberto Junior.



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Blumenau/SC, Brasil

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Mais uma vez o aventureiro aqui está fazendo uma das coisas que ele mais ama, mochilar!!! Agora ele está pelo sul do Brasil, mais precisamente em Blumenau, Santa Catarina. Depois de tantas atividades de trabalho incluindo congresso de geologia em Belém e excursão pela província mineral de Carajás ele conseguiu a proeza de se manter semi-vivo ou semi-morto por 48 horas, incluindo aí as 24h que esteve em Salvador cuidando de uma série de atividades administrativas na empresa e relatórios imediatamente após voltar de Marabá e antes de seguir para Navegantes, ponto de partida para Blumenau.

Até parecia que as coisas nunca iriam se encaixar e, mais uma vez o plano de participar do oktober iria por água abaixo. Viver tudo aquilo parecia parte de um filme, mas finalmente consegui sair do escritório à noite, diretamente para o aeroporto de Salvador, de onde embarquei para Navegantes, e onde tomei o ônibus que me conduziria para o centro de Blumenau. No percurso fiz amizade com Alessandro, blumenauense que adora fazer trilhas inclusive de jipe pela região. Trocamos contatos e resolvemos nos juntar em alguma aventura futuramente.

Ao desembarcar no terminal da empresa que atende a GOL Linhas Aéreas, ajudei um australiano que não falava português e que estava sofrendo horrores para explicar ao atendente do terminal que havia perdido o vôo e que precisava seguir num determinado horário para comprar novas passagens e ficar por lá até a hora do vôo. Em seguida liguei pro meu "host" Grégori, que foi até lá me apanhar de carro e que me recepcionou como um velho conhecido.


Blumenau é uma cidade muito bacana, e está sendo reconstruída devido à catástrofe do ano de 2008, quando fortes chuvas foram responsáveis pelo desmoronamento de diversas construções, mortes e desabrigo de diversas famílias. Fato é que naquela ocasião, todo o Brasil se mobilizou inclusive com doações para ajudar e amenizar o sofrimento dos desabrigados.

A família do Gregori é muito amável e me recebeu de braços abertos. Ganhei um quarto só para mim, com uma cama muito confortável. Conversamos bastante e subi para descansar por uma hora (afinal, estava quase sem dormir nas  últimas 48h). Em seguida, o pai de Grégori me levou para ver o desfile na rua XV de novembro, onde todos estavam com trajes típicos. Muitas flores, música alegre e crianças tocando instrumentos musicais. A maior parte dos carros alegóricos dispunham de sistemas portáteis para distribuir chopp em pleno percurso. Destaque para o prefeito da cidade e o candidato a presidência da República, José Serra que estavam desfilando na "centopéia", que corresponde a uma grande composição articulada de bicicletas unidas por um "eixo comum", onde todos os integrantes pedalam para mantê-la em movimento, dando voltas e mais voltas pela rua, num movimento muito alegre.



 




Muito marcante foi quando o pai de Gregori e eu fomos pegar na rodoviária uma colega que conheci na trilha Inca, no Perú. A Sabrina teve problemas em contactar um amigo que iria dar hospedagem para ela e terminou ficando no "couch" do Gregori também. Fiquei muito feliz por tê-la reencontrado, principalmente por ter sido de forma tão inusitada e sem termos programado. Não estávamos conseguindo manter um bom contato pela internet.  Apenas sabíamos que havia a possibilidade de nos vermos. Foi sua primeira experiência no CS e ela adorou ser adotada pelos pais do Grég e também cair na farra com seus amigos. Fomos juntos a um aniversário na casa do Dimas. Uma grande festa!! Muito legal.

Grégori tem me levado para casa de vários de seus amigos, onde sempre tem lugar a uma festa, que é normalmente chamada de "esquenta", onde nos "preparamos" antes de ir para os pavilhões da oktoberfest. Observei que o primo Felipe tem feito muita falta nas abordagens por aqui.

 

Muito som e cerveja artesanal de qualidade como Das Beer, Eisehnbahn, etc, e que não tem nada a ver com as cervejas que dominam o mercado nacional, especialmente com relação ao grupo Ambev (Skol, Brahma e Antárctica) que, ao final, pouco tem de difrente entre si.
No geral tenho saído muito com o Gregori em seu carro, mas também tenho tido a oportunidade de utilizar o sistema público de transporte que funciona relativamente bem, contando com diversas estações de integração, onde o cidadão não precisa pagar nova tarifa ao descer de um ônius para tomar outro. Pude observar que as pessoas da cidade são relativamente menos prestativas que no restante do país (especialmente em relação ao norte e nordeste do Brasil), mas com jeitinho obtemos todas informações para mochilar tranquilamente pela cidade.

A idéia amanhã é seguir para Florianópolis e conhecer mais uma das grandes capitais brasileiras, depois quem sabe acampar por uma ou duas praias do litoral catarinense e seguir bem cedo no domingo 17 para o aeroporto de Navegantes para tomar o vôo de volta para Salvador da Bahia.

Grande abraço,
Alberto Jr.
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Belém e Maraba - Pará, Brasil

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O nosso aventureiro foi escalado para participar 45 Congresso Brasileiro de Geologia, e seguiu para Belém/Pará no dia 25 de setembro. Dentre diversas programações e palestras geológicas, ele teve a oportunidade de reencontrar muitos amigos do curso de geologia que já não via a anos. Tivemos a oportunidade de almoçar juntos e de sair pra beber após serem encerradas as atividades. Provamos alguns pratos típicos como carurú e vatapá paraenses, pato no tucupi e a famosa caldeirada de filhote com mariscos. Destaque vai para a pimenta "cereja" como a mesma foi batizada por nós no Restaurante da Duque, que fica na avenida Duque de Caxias, próximo do Hangar, local onde ocorreu o congresso.


Fiquei muito impressionado com o porte da cidade e sua estrutura, sendo que chama atenção a largura das avenidas e a grandiosidade dos prédios em estilo colonial, remontando à força do ciclo da borracha. De um modo geral, a cidade dispõe de um razoável sistema de transportes, mas um ponto negativo marcante observado foi a relativa falta de educação dos condutores, que na maioria das vezes adotam um perfil bastante agressivo e pouco cortês, no volante, conseguindo superar os condutores soteropolitanos  neste quesito. Não pára por aí, ocasionalmente esta característica leva os condutores de Belém a assumirem uma postura até irresponsável no trânsito, brecando muito próximo dos demais veículos e furando semáforos e mudando bruscamente de faixa sem qualquer sinal prévio.



Tive a oportunidade de conhecer pontos turísticos como o o Mercado Municipal do Ver o Peso onde são comercializados diversos tipos de artesanatos e também são servidas comidas típicas e onde tem lugar uma feira livre.




Me impressionei com a beleza do Ver o Rio, ponto turístico alternativo que só conheci graças ao contato com uma nativa por nome Layla Santos com a qual fiz contato por meio do Couch Surfing. Ela também me mostrou outros lugares muito legais na cidade como o Teatro da Paz e me apresentou um monte de seus amigos. Reunião muito legal foi a que fomos no bar The Beattles, muito bem decorado com um monte de capas e discos de vinil e onde ouvimos muita música de qualidade.




Visitei também a praça principal, onde ocorre uma grande feira livre aos domingos e onde diversas famílias se reúnem nos gramados abaixo das árvores (no estilo pic-nic), deixando suas crianças livres para brincarem à vontade. Ali encontrei uma banca de livros usados, onde comprei 3 livros de bolso em inglês (R$5,00 cada), destaque para The Animal Farm de George Ornwell, o mesmo autor de 1984.


Quanto às bebericadas à noite, destaque vai para o Restaurante Spazzio Verde, casa de shows Terranostra e o famoso Estação das Docas, um espaço idêntico às Docas existentes no bairro Comércio, cidade baixa de Salvador, mas que teve uma boa parte "reformulada", tendo perdido as funções portuárias e hoje é um local requintado muito semelhante ao Puerto Madero, bairro portuário de Buenos Aires. Na Estação das Docas estão expostas peças encontradas durante pesquisas arqueológicas nos entornos e no fundo do rio. Além disso, lá esistem diversos stands e lojas, bem como restaurantes e bares, com destaque para a cervejaria artesanal local Amazon Beer, uma das mais gostosas do Brasil, e que conta com 5 versões de chopp, com ingredientes e graduações alcoólicas diferentes para atender aos mais exigentes paladares. Cada prédio da Estação das Docas conta com um palco suspenso e móvel onde ocorrem apresentações de música ao vivo, estilos MPB e pop-rock.
A cidade ainda conta com a Cerpa, cerveja local muito apreciada e de paladar suave e que conta com uma versão exportação.
Ao finalizar o congresso, tomamos um avião para Marabá/Pará, onde encontrei outros geólogos e professores que estavam inscritos numa excursão pela maior província mineral que o mundo conhece, a Província de Carajás. Visitamos também minas de cobre, ouro e ferro da Vale do Rio Doce, fechando com chave de ouro a atividade.
Durante aquelas excursões fomos agraciados por alguns belos pôres-do-sol, que de certa forma nos faziam esquecer que naquela semana que passamos na porção sudeste do Pará só havíamos visto áreas de pasto e queimadas e que a única área com mata preservada correspondia à reserva florestal dos Carajás, mantida pela Vale do Rio Doce perto da Mina de Ferro de Carajás, maior mina de ferro do mundo. Fiquei muito triste com aquela observação e ao mesmo tempo tentado em empreender uma aventura para desbravar o mais rápido possível a região norte do país.

Fiz contato com professores da UERJ, USP e Rural do Rio, trocamos muitas informações geológicas e batemos muito papo e fiquei muito feliz em descobrir que eles também tiveram a oportunidade de mochilar pelo mundo afora. Recebi muitas dicas do prof. Cláudio o qual também me falou sobre as diversas expedições que fez para a Antárctica, como parte do programa nacional de pesquisa Proantares. Fiquei muito interessado em participar de algum tipo de trabalho nesta linha. Quem sabe futuramente poderei escrever algo a partir do continente mais frio do planeta??

Grande abraço,
Alberto
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Itaparica Moto Trail

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Neste final de senama os aventureiros Cid Bonfim e Alberto Moreira Jr. partiram para uma volta de moto pela Baía de Todos os Santos, com direito a travessia de Ferry Boat para Ilha de Itaparica.

Queríamos ir de Salvador para Santa Tresinha/BA ver como está indo nosso colega Esdras Varjão em suas aulas de asa delta com o professor Zé Galinha (vejam um de seus vídeos aqui), e sentir de perto como é esta experiência e quem sabe combinar um dia para fazer um salto duplo. Não os dois motociclistas juntos na mesma asa, mas cada um de uma vez, acompanhado do instrutor, claro né??

Como tínhamos saído pra beber na noite anterior e voltamos pra casa lá pelas tantas da madrugada, acordamos tarde para iniciar a aventura (não me diga...), então Cid teve a idéia de atravessarmos pelo Ferry Boat, seguirmos pela Ilha de Itaparica em direção à Nazaré e Santo Antônio de Jesus e finalmente Santa Teresinha. Seriam 120km. Resolvemos encarar!!

Nos encontramos no Terminal Marítmo de São Joaquim, ainda do lado de fora, pois motocicleta não pega fila e sabíamos que iríamos direto até o caixa. Eram exatamente 12h quando pagamos os R$19,15 pela travessia, seguimos para o portão de embarque, que dentro de 5min foi aberto. Atravessamos a ponte e a plataforma elevadiça, atravessamos todo o pátio da embarcação pra ficar junto à saída para sermos um dos primeiros na largada.

São aproximadamente 45min de travesia através dos 11km que separam a ilha da peníssula soteropolitana, durante os quais tivemos de ficar por perto das motocicletas, pois havia o risco das mesmas tombarem devido ao balanço do mar. Pouco antes do desembarque fui ao deck superior comprar um lanche pois não houve tempo de fazer uma refeição bem elaborada em casa. Lá em cima um jovem de nome Sérgio se aproximou e fez contato comigo, dizendo que costuma fazer trilhas com seu pai também. Trocamos contatos e ficamos de nos juntar nas próximas aventuras.

Sabíamos que o horário estava avançado e talvez chegássemos em Santa Teresinha quase na hora de voltar. Seguimos assim mesmo e fomos pensando em outras alternativas aventureiras para o caso de abortarmos a operação integrada "terra e ar" com nosso querido Varjão, que havia combinado (no dia anterior) de levar um vinho para tomarmos lá na pousada do instrutor Zé Galinha, pois também havia a possibilidade de pernoitarmos na cidade. De qualquer forma estávamos tentados em curtir a noite soteropolitana e por isso, seguimos com roupas de motocross e não levamos roupas.

No percurso pela ilha observei diversas pessoas circulando de bicicleta pelo acostamento e lembrei da viagem que fiz com Felipe e Rui em abril, na ocasião de sua passagem pela região, ao longo de sua viagem de bicicleta pelo mundo, quando fomos ver a Feira de Caxixis em Nazaré, seguindo posteriormente para Cruz das Almas, num total de 150km em dois dias com nossas bagagens.

Já havia também feito parte daquele percurso algumas vezes de ônibus, a caminho de Valença e Ilha de Boipeba em outras aventuras, mas não lembrava de nada que houvesse ficado marcado na minha memória. Talvez isso fosse pelo fato de que no ônibus só podemos olhar pela janela e agora estava olhando para a frente. De qualquer forma, não conseguia registrar e sentir as paisagens e o ambiente a 100km/h da mesma forma que a 25km/h quando havia feito o percurso de bike. Neste momento lembrei de Antônio Olinto que disse em seu livro No Guidão da Liberdade que "Só há real leitura de tempo e espaço quem vai a pé - ou no máximo de bicicleta" e de como ele enfatizou em uma das mensagens que trocamos por e-mail que estou também seguindo o mesmo caminho que ele, primeiro viajando de moto e depois migrando para bicicleta.

No caminho de ida, o único lugar que consegui sentir plenamente a natureza foi ao atravessar a ponte que liga o sul da ilha com o continente. Seguimos aproximadamente até meu odômetro marcar 85km, pouco após Nazaré, e foi quando decidimos abortar a missão e voltar até a comunidadde de pescadores de Baiacú, onde iríamos tentar localizar as ruínas da 2a. ou 3a. igreja mais antiga edificada no Brasil, a Igreja de Nosso Senhor de Vera Cruz, construída em 1560. É possível encontrar uma série de informações sobre esta igreja pesquisando no google. Aqui está o link de uma página da UOL com informações a respeito. Aqui o link de outra matéria, agora no blog de Itaparica. Clique aqui e veja um vídeo de uma turma que fez uma visita de bike na área.

No caminho de volta decidi ficar mais atento e tentar reconhecer algumas das paisagens que eu tinha registrado ao viajar de bike e novamente passamos pela ponte de volta à Ilha de Itaparica e depois encontrei um segundo local marcante naquela viagem, onde eu havia parado para um rápido lanche, embaixo de uma grande árvore, enquanto aguardava Ruy com sua bicicleta de 45kg e Felipe que, apesar da bike pouco carregada, estava com uma bicicleta inferior e não estava na mesma forma física que eu.


Tomamos o acesso para Baiacú e seguimos até o povoado, seguindo até a planície de inundação, onde os pescadores atracam suas canoas e pequenos barcos. Surgiram algumas crianças curiosas para saber o que de "especial" havia no povoado para atrair aqueles dois seres de roupas e motocicletas coloridas até ali. Depois de respondermos a sua grande lista de perguntas, foi a minha vez de indagá-los sobre a vida escolar e principalmente, suas idades. Foi quando fiz questão de saber quem era o mais velho e o mais novo, depois perguntei se já haviam tomado a vacina e como já era de esperar, eles começaram a mudar as feições... De repente falei com Cid para pegar a vacina que estava supostamente presa no bagageiro da moto (neste momento apontei a sacola de pano que estava presa no bagageiro). No momento em que fui apanhar os garotos pelo braço, imediatamente eles levantaram e partiram desesperados correndo e gritando. Depois de alguns minutos eles voltaram a nos acompanhar, mas desta vez, firaram sempre de longe e desconfiados, ainda tentei convencê-los à suposta vacinação e Cid avisou que a "agulha fina" já havia acabado e agora só tinha da "agulha mais grossa". A criançada estava em pânico. Muito engraçado.

Posteriormente fiz um rápido ensaio fotográfico com a máquina de Cid, quando tentei pôr em prática alguns conceitos aprendidos no curso de fotografia on-line que estava fazendo. Seguem abaixo alguns resultados:
 


Conseguimos obter informações com as crianças sobre como chegar até as ruínas da igreja de Nosso Senhor de Vera Cruz e cruzamos todo o povoado, tomamos a mesma estrada de volta pra BA-001 e, após o sítio Baiacú do Mundo encontramos o acesso à igreja e ao cemitério, que fica aos fundos. A igreja está totalmente abraçada pelos troncos e raízes de 3 ou 4 gameleiras, que é um tipo de árvore de grande porte e que costuma germinar sobre outras árvore. Na medida em que desenvolve suas raízes, ela vai lentamente estrangulando a hospedeira, e quando suas raízes tocam o chão, seu crescimento é acelerado, e em pouco tempo a hospedeira morre. No caso da igreja de Nosso Senhor de Vera Cruz, as gameleiras são (em parte) responsáveis por manter equilibradas as paredes da Igreja, que resistem em ficar de pé, uma vez que os poderes públicos fizeram descaso com este patrimônio.

Identificamos na estrutura da igreja, algumas passagens e arcos que estavam fechados com tijolos e argamassa da época, indícios de que a igreja passou por reformas ao longo dos tempos. Tiramos algumas fotos e outra vez fiz um exercício para colocar em prática as técnicas aprendidas no curso . Abaixo seguem alguns resultados:


 



















Além do cemitério, a relativa limpeza da parte interna das ruínas da igreja onde havia um altar tosco, improvisado com imagens e velas acesas, bem como o recente corte do gramado externo onde pastava um cavalo meio maltratado, eram as únicas evidências da presença humana. Naquele cenário presenciamos um maravilhoso pôr-do-sol.


Na saída outra coisa nos chamou atenção: uma grande caixa armada com placas de cimento sobre o solo, ao lado da igreja, cerca de 50m em frente ao cemitério, ao lado da qual haviam velas acesas. A julgar pelo tamanho e pela posição de destaque ao lado da igreja, é possível se tratar da catacumba de algum padre morto há algumas centenas de anos. De qualquer forma sua tampa é feita também de cimento, e encontra-se em parte quebrada através da qual era possível ver que era totalmente preenchida com solo.



Ao final seguimos até a entrada do município de Itaparica, onde demos uma volta pela cidade, e fomos ao centro histórico, depois à praça principal, onde estava o Bar do Joanilton Marvado. Fizemos um pedido de uma porção de filé de Massambê frito. Como a fome estava apertando e o peixe iria demorar para sair, observamos que ali perto havia o tabuleiro de uma baiana cujos acarajés estavam cheirando muito bem e pareciam muito deliciosos, por isso, pedi um, ao passo que Cid preferiu abará. Para acompanhar, pedimos uma cerveja pro Joanilton.

Pra minha surpresa o acarajé não estava tão bom quanto parecia e passava longe da maioria das acarajés que são encontrados em Salvador e principalmente daquela encontrada no meu bairro, que creio ser o mais gostoso de toda Salvador, apesar de não ser famoso (nem tão caro) quanto os acarajés da Cira e da Dinha. Logo mais, a baiana avisou que estava de partida e lhe pagamos os R$5,00 devidos.



Um tempo depois Joanilton nos serviu o filé de Massambê, acompanhado de salada, farofa e pimenta, tudo ricamente preparado e fiquei surpreso por nunca ter sabido da existência daquele peixe e me parece que só ocorre ali naquela parte da Baía de Todos os Santos.


Estava ficando tarde e, apesar de gostar muito do lugar, tínhamos de voltar ao terminal e atravessar de Ferry de volta à Salvador. Antes de elogiar a comida, solicitamos a conta ao dono do bar para evitar pagarmos preço de "turista" sem saber. Nova surpresa foi saber que toda aquela comida, junto com a cerveja nos custariam apenas R$11,00.


Visitamos os tios de Cid que moram na ilha, passamos pelo forte e seguimos pela orla até o terminal de Bom Despacho, onde compramos as passagens de volta (R$19,15 cada) e seguimos toda viagem conversando sem desmontar das motos, no pátio da embarcação.


Alberto Jr.
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